Como funciona a fatura do cartão de crédito
Entenda o que entra na fatura, a diferença entre pagar o total e o mínimo, como funciona o rotativo e por que o limite do cartão não é renda.
Em poucas palavras
A fatura é a conta mensal do cartão de crédito. Ela junta tudo o que você comprou no cartão em um período e mostra quanto pagar e até quando. Pagar o valor total evita juros. Pagar só o mínimo deixa o resto da dívida no rotativo, que é uma das formas de crédito mais caras.
O que entra na fatura
A fatura reúne:
- as compras feitas no cartão desde a fatura anterior;
- as parcelas de compras parceladas que caem naquele mês;
- assinaturas e cobranças que se repetem, como streaming ou aplicativo;
- tarifas, como anuidade, se o seu cartão cobrar;
- juros e encargos, se a fatura anterior não foi paga inteira.
Cada compra entra numa fatura de acordo com o dia de fechamento do cartão. Esse assunto tem um guia próprio, sobre fechamento e vencimento.
Total, mínimo e rotativo
Pagamento total: você paga tudo o que está na fatura. Não há juros.
Pagamento mínimo: é a menor parte que o banco aceita receber. O que sobra não some. Vira uma dívida chamada rotativo, com juros altos, que aparece na fatura seguinte.
Duas regras ajudam a limitar o estrago. Pela norma do Conselho Monetário Nacional, o rotativo só pode durar até o vencimento da fatura seguinte. Depois disso, o banco pode oferecer o parcelamento do saldo, em condições mais vantajosas que as do rotativo. E, por lei, desde janeiro de 2024, os juros e encargos (como multa, juros de atraso e tarifas) do rotativo e do parcelamento da fatura, somados, não podem passar do valor original da dívida. Impostos, como o IOF, ficam fora desse limite. Mesmo com essas regras, uma dívida pode quase dobrar.
Exemplo
Marta recebe R$ 2.500 por mês. A fatura de maio veio assim:
- Mercado: R$ 400
- Farmácia: R$ 100
- Parcela 3 de 10 da geladeira: R$ 300
- Combustível: R$ 150
- Assinatura de streaming: R$ 50
Total: R$ 400 + R$ 100 + R$ 300 + R$ 150 + R$ 50 = R$ 1.000.
Suponha que o mínimo seja R$ 150. Se Marta pagar só o mínimo, ficam R$ 1.000 − R$ 150 = R$ 850 no rotativo. Suponha juros de 10% ao mês, só como exemplo. Os juros de um mês são R$ 850 × 10% = R$ 85. Na fatura de junho, essa dívida aparece como R$ 850 + R$ 85 = R$ 935, além das compras novas e da parcela 4 da geladeira.
Pela regra de 2024, os juros e encargos sobre esses R$ 850 não podem passar de R$ 850. Ou seja, no pior caso, a dívida chega a R$ 850 + R$ 850 = R$ 1.700, mais impostos como o IOF.
O limite do cartão de Marta é R$ 3.000, maior que o salário dela. O limite é só o máximo que o banco deixa você usar. Não é dinheiro seu. Tudo o que você gastar vai ter de sair da sua renda depois.
Passo a passo
- Abra a fatura atual e leia linha por linha. Marque o que você não reconhece.
- Compare o total da fatura com o dinheiro que vai sobrar depois das contas fixas do mês.
- Pague o valor total sempre que puder. Se não der, pague o máximo possível, não só o mínimo.
- Se a fatura não couber no mês, ligue para o banco antes do vencimento e peça as condições de parcelamento da fatura, com o CET, que é o custo total da dívida com juros e tarifas. Compare antes de aceitar.
- No Meu Gasto, cadastre seu cartão com o dia de fechamento e o de vencimento e lance as compras nele. O app mostra a fatura de cada mês e as parcelas que vêm por aí.
- Use o "Perguntar" do app para saber se uma compra cabe antes de passar o cartão.
Erros comuns
- Achar que pagar o mínimo deixa a fatura em dia. Evita o atraso, mas o resto vira dívida com juros. Pague o total ou o máximo que puder.
- Tratar o limite como parte da renda. O limite é crédito, não salário. Planeje os gastos pelo que você recebe.
- Não conferir a fatura. Cobranças repetidas e assinaturas esquecidas passam despercebidas. Leia a fatura todo mês e conteste o que estiver errado com o banco.
- Esquecer as parcelas futuras. A parcela de hoje se soma às compras de amanhã. Olhe as parcelas dos próximos meses antes de parcelar de novo.
Perguntas frequentes
Paguei só o mínimo. E agora?
O resto entrou no rotativo e terá juros. O rotativo só pode durar até o vencimento da fatura seguinte. Se não der para quitar, o banco pode oferecer o parcelamento do saldo. Peça o CET e compare antes de aceitar.
Se eu não usar o cartão, a fatura vem zerada?
Pode vir com parcelas antigas, assinaturas ou tarifas como anuidade. Confira sempre.
Aumentar o limite é bom?
Só se você não for usar como renda extra. Um limite maior não aumenta o dinheiro que você tem para pagar a fatura.
Fontes para conferir
- Banco Central do Brasil
- Lei 14.690/2023, art. 28 (teto de juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura)
- Resolução CMN 4.549/2017, consolidada com a Resolução CMN 5.112/2023 (Banco Central)
Os exemplos usam números ilustrativos. Taxas e regras podem mudar: confira sempre na fonte oficial.
Continue aprendendo
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