Como funciona a fatura do cartão de crédito

Básico 4 min de leitura · Revisado em 01 de novembro de 2026

Ilustração do guia: Como funciona a fatura do cartão de crédito

Entenda o que entra na fatura, a diferença entre pagar o total e o mínimo, como funciona o rotativo e por que o limite do cartão não é renda.

Em poucas palavras

A fatura é a conta mensal do cartão de crédito. Ela junta tudo o que você comprou no cartão em um período e mostra quanto pagar e até quando. Pagar o valor total evita juros. Pagar só o mínimo deixa o resto da dívida no rotativo, que é uma das formas de crédito mais caras.

O que entra na fatura

A fatura reúne:

  • as compras feitas no cartão desde a fatura anterior;
  • as parcelas de compras parceladas que caem naquele mês;
  • assinaturas e cobranças que se repetem, como streaming ou aplicativo;
  • tarifas, como anuidade, se o seu cartão cobrar;
  • juros e encargos, se a fatura anterior não foi paga inteira.

Cada compra entra numa fatura de acordo com o dia de fechamento do cartão. Esse assunto tem um guia próprio, sobre fechamento e vencimento.

Total, mínimo e rotativo

Pagamento total: você paga tudo o que está na fatura. Não há juros.

Pagamento mínimo: é a menor parte que o banco aceita receber. O que sobra não some. Vira uma dívida chamada rotativo, com juros altos, que aparece na fatura seguinte.

Duas regras ajudam a limitar o estrago. Pela norma do Conselho Monetário Nacional, o rotativo só pode durar até o vencimento da fatura seguinte. Depois disso, o banco pode oferecer o parcelamento do saldo, em condições mais vantajosas que as do rotativo. E, por lei, desde janeiro de 2024, os juros e encargos (como multa, juros de atraso e tarifas) do rotativo e do parcelamento da fatura, somados, não podem passar do valor original da dívida. Impostos, como o IOF, ficam fora desse limite. Mesmo com essas regras, uma dívida pode quase dobrar.

Exemplo

Marta recebe R$ 2.500 por mês. A fatura de maio veio assim:

  • Mercado: R$ 400
  • Farmácia: R$ 100
  • Parcela 3 de 10 da geladeira: R$ 300
  • Combustível: R$ 150
  • Assinatura de streaming: R$ 50

Total: R$ 400 + R$ 100 + R$ 300 + R$ 150 + R$ 50 = R$ 1.000.

Suponha que o mínimo seja R$ 150. Se Marta pagar só o mínimo, ficam R$ 1.000 − R$ 150 = R$ 850 no rotativo. Suponha juros de 10% ao mês, só como exemplo. Os juros de um mês são R$ 850 × 10% = R$ 85. Na fatura de junho, essa dívida aparece como R$ 850 + R$ 85 = R$ 935, além das compras novas e da parcela 4 da geladeira.

Pela regra de 2024, os juros e encargos sobre esses R$ 850 não podem passar de R$ 850. Ou seja, no pior caso, a dívida chega a R$ 850 + R$ 850 = R$ 1.700, mais impostos como o IOF.

O limite do cartão de Marta é R$ 3.000, maior que o salário dela. O limite é só o máximo que o banco deixa você usar. Não é dinheiro seu. Tudo o que você gastar vai ter de sair da sua renda depois.

Passo a passo

  1. Abra a fatura atual e leia linha por linha. Marque o que você não reconhece.
  2. Compare o total da fatura com o dinheiro que vai sobrar depois das contas fixas do mês.
  3. Pague o valor total sempre que puder. Se não der, pague o máximo possível, não só o mínimo.
  4. Se a fatura não couber no mês, ligue para o banco antes do vencimento e peça as condições de parcelamento da fatura, com o CET, que é o custo total da dívida com juros e tarifas. Compare antes de aceitar.
  5. No Meu Gasto, cadastre seu cartão com o dia de fechamento e o de vencimento e lance as compras nele. O app mostra a fatura de cada mês e as parcelas que vêm por aí.
  6. Use o "Perguntar" do app para saber se uma compra cabe antes de passar o cartão.

Erros comuns

  • Achar que pagar o mínimo deixa a fatura em dia. Evita o atraso, mas o resto vira dívida com juros. Pague o total ou o máximo que puder.
  • Tratar o limite como parte da renda. O limite é crédito, não salário. Planeje os gastos pelo que você recebe.
  • Não conferir a fatura. Cobranças repetidas e assinaturas esquecidas passam despercebidas. Leia a fatura todo mês e conteste o que estiver errado com o banco.
  • Esquecer as parcelas futuras. A parcela de hoje se soma às compras de amanhã. Olhe as parcelas dos próximos meses antes de parcelar de novo.

Perguntas frequentes

Paguei só o mínimo. E agora?

O resto entrou no rotativo e terá juros. O rotativo só pode durar até o vencimento da fatura seguinte. Se não der para quitar, o banco pode oferecer o parcelamento do saldo. Peça o CET e compare antes de aceitar.

Se eu não usar o cartão, a fatura vem zerada?

Pode vir com parcelas antigas, assinaturas ou tarifas como anuidade. Confira sempre.

Aumentar o limite é bom?

Só se você não for usar como renda extra. Um limite maior não aumenta o dinheiro que você tem para pagar a fatura.

Fontes para conferir

Os exemplos usam números ilustrativos. Taxas e regras podem mudar: confira sempre na fonte oficial.

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