Quanto você recebe de verdade numa venda na maquininha

Intermediário 5 min de leitura · Revisado em 05 de novembro de 2026 · Como o conteúdo é feito

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Entenda a taxa de cada venda no débito, no crédito e no parcelado, o prazo para o dinheiro cair, quanto custa antecipar e como calcular o preço para não perder dinheiro.

Em poucas palavras

Quem vende na maquininha não recebe o valor cheio da venda. A empresa da maquininha desconta uma taxa de cada venda e, dependendo da forma de pagamento, o dinheiro só cai dias ou meses depois. Saber quanto sobra de cada venda, e quando, é o que separa o faturamento do dinheiro que você pode usar.

Bruto, taxa e líquido

  • Valor bruto: o que o cliente pagou.
  • Taxa: a parte que a empresa da maquininha fica. É um percentual da venda e, em alguns contratos, mais uma tarifa fixa por venda.
  • Valor líquido: o que entra na sua conta. Líquido = bruto − taxa.

A taxa muda conforme a forma de pagamento: débito, crédito à vista, crédito parcelado e, em algumas maquininhas, Pix. Não existe tabela oficial: cada contrato tem as suas taxas, e elas podem mudar. As que valem para você estão no seu contrato e no aplicativo da maquininha.

Quando o dinheiro cai

O prazo também depende do contrato. Em geral, a venda no débito cai em poucos dias e a venda no crédito à vista leva cerca de 30 dias. No crédito parcelado em que a loja recebe por parcela (o chamado "parcelado lojista" ou "sem juros" para o cliente), cada parcela costuma cair um mês depois da outra. Até lá, o dinheiro é um valor a receber, não um saldo que você pode gastar.

Antecipar é pedir para receber antes, pagando um desconto a mais. Quanto mais longe a data original, maior o desconto.

Exemplo

Joana vende bolos e usa uma maquininha. As taxas do contrato dela, só como exemplo, são: débito 1,37%, crédito à vista 3,49% e crédito em 3 vezes 5,99%.

Numa venda de R$ 1.000:

  • Débito: taxa de R$ 1.000 × 1,37% = R$ 13,70. Joana recebe R$ 1.000 − R$ 13,70 = R$ 986,30.
  • Crédito à vista: taxa de R$ 1.000 × 3,49% = R$ 34,90. Ela recebe R$ 965,10, cerca de 30 dias depois.
  • Crédito em 3 vezes, sem juros para o cliente: taxa de R$ 1.000 × 5,99% = R$ 59,90. O líquido é R$ 940,10, que chega em três parcelas: R$ 313,37 em 30 dias, R$ 313,37 em 60 dias e R$ 313,36 em 90 dias.

Agora suponha que Joana precise do dinheiro do parcelado hoje e o contrato cobre 2% de antecipação por mês adiantado, calculado de forma simples:

  • a parcela de 30 dias perde 2%: R$ 313,37 × 2% = R$ 6,27;
  • a de 60 dias perde 4%: R$ 313,37 × 4% = R$ 12,53;
  • a de 90 dias perde 6%: R$ 313,36 × 6% = R$ 18,80.

O desconto total é R$ 6,27 + R$ 12,53 + R$ 18,80 = R$ 37,60. Antecipando, ela recebe R$ 940,10 − R$ 37,60 = R$ 902,50 de uma venda de R$ 1.000. Cada empresa calcula a antecipação do seu jeito: confira no contrato.

Quanto cobrar. Se Joana quer receber R$ 1.000 líquidos numa venda no crédito à vista com taxa de 3,49%, o preço precisa ser R$ 1.000 ÷ (1 − 0,0349) = R$ 1.000 ÷ 0,9651 ≈ R$ 1.036,16. Conferindo: R$ 1.036,16 × 3,49% ≈ R$ 36,16 de taxa, e R$ 1.036,16 − R$ 36,16 = R$ 1.000. Somar 3,49% em cima do preço não basta, porque a taxa incide sobre o preço já aumentado. Por lei, a loja pode cobrar preços diferentes conforme a forma de pagamento, desde que informe isso ao cliente.

Passo a passo

  1. Pegue o contrato ou o aplicativo da maquininha e anote a taxa de cada forma de pagamento, a tarifa fixa (se houver) e o prazo de recebimento.
  2. Em cada venda, registre o bruto, a taxa e o líquido, e a data prevista de cada recebimento.
  3. Planeje as contas da semana com o que já caiu na conta, não com o total vendido.
  4. Uma vez por mês, compare o extrato da maquininha com as taxas do contrato. Se a taxa cobrada for diferente, reclame com a empresa.
  5. Antes de antecipar, calcule quanto vai perder, como no exemplo, e compare com outras saídas, como negociar o prazo de uma conta.
  6. Revise seus preços com a conta do item "Quanto cobrar", para cada forma de pagamento.
  7. No Meu Gasto, cadastre a maquininha com as taxas do seu contrato e lance as vendas em Vendas no cartão: o app mostra o líquido de cada venda, o que vai cair em cada data e ajuda a conferir o extrato.

Erros comuns

  • Contar o valor bruto como dinheiro disponível. O que dá para gastar é o líquido que já caiu. O resto é a receber.
  • Esquecer o prazo do crédito. Vender bem no crédito pode deixar o caixa vazio por 30 dias. Planeje as compras de material com isso em mente.
  • Antecipar todo mês sem fazer a conta. A antecipação frequente pode comer uma parte grande do lucro.
  • Repassar a taxa somando o percentual ao preço. Assim a taxa não fica coberta. Use a divisão por (1 − taxa).
  • Misturar o dinheiro das vendas com o da casa. Separe as contas para saber quanto o negócio rende de verdade.

Perguntas frequentes

Existe uma taxa padrão de maquininha?

Não. Cada empresa e cada contrato têm suas próprias taxas e prazos, que podem mudar. Use sempre as do seu contrato.

Posso cobrar mais caro no cartão do que no dinheiro?

Sim. A Lei 13.455/2017 permite preços diferentes conforme o prazo ou a forma de pagamento. Informe o cliente antes da compra.

O "parcelado sem juros" é de graça para quem vende?

Não. Sem juros para o cliente, quem paga a taxa do parcelamento é a loja, e ela recebe as parcelas ao longo dos meses.

Vale a pena antecipar?

Depende de quanto custa e de para que serve o dinheiro. Calcule o desconto total antes e compare com outras opções.

Fontes para conferir

Os exemplos usam números ilustrativos. Taxas e regras podem mudar: confira sempre na fonte oficial.

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